Sávio de Almeida comenta espetáculo "Uma noite em Tabariz" que estreou com casa lotada no Quarta no Arena

Espetáculo musical conta histórias da boemia de antigo bordel de Maceió

por Assessoria

Na última quarta (26) foi dia de teatro lotado. Foi a estreia do espetáculo “Uma Noite em Tabariz”, da Cia. do Chapéu, que tem texto de Luiz Sávio de Almeida e música de Mácléim, que conta as histórias da boemia do antigo bordel de Maceió, de mesmo nome, num espetáculo musical com grande riqueza cênica, onde personagens imaginários revelam entre músicas e passos de tango uma das noites mais badaladas na década de 50, no Tabariz. A casa, antigamente localizada à Rua Sá e Albuquerque, no bairro do Jaraguá, em Maceió, é a inspiração para criação dos personagens. Criado por Benedito Mossoró, o prostíbulo marcou a história da capital alagoana, sendo reconhecido por trabalho de conclusão de curso da Universidade Federal de Alagoas e tema de samba conhecido nacionalmente.

O musical é composto por várias situações que se passam no bordel Tabariz, personagens fictícios mostram suas histórias circulando entre a música, a dança e o teatro. Com uma mistura de ritmos os personagens narram a boemia do bairro Jaraguá, em Maceió; retratando cenas que entrelaçam prostitutas e seus amantes de maneira inusitada, cantando e atuando suas próprias vidas. O espetáculo aborda com sutileza questões sociais que envolvem os dramas e as alegrias dos personagens, suas angústias, confusões, seus conflitos e emoções que se estendem e encantam, tanto quem viveu no início da formação dos bordéis da cidade, quanto os interessados em conhecer essa realidade tão pouco mostrada com uma beleza poética original e a uma musicalidade diversificada. O espetáculo, da Cia. do Chapéu, traz os atores: Fabrício Barros, Joelle Malta, Jonatha Albuquerque, Laís Lira, Magnun Angelo, Wallisson Melquisedec e Tácia Albuquerque que também é responsável pela direção e os músicos André Cavalcanti e Natalhinha Marinho, com texto de Luiz Sávio de Almeida e música de Mácleim.

O elenco do espetáculo traz os atores: Fabrício Barros, Joelle Malta, Jonatha Albuquerque, Laís Lira, Magnun Angelo, Wallisson Melquisedec e Tácia Albuquerque, que também é responsável pela direção e os músicos André Cavalcanti e Natalhinha Marinho.

O espetáculo volta ao Teatro de Arena, na próxima quarta, dia 02 de setembro, a partir das 19:30h.

Na estreia estava o autor do texto, Sávio de Almeida, que nos falou sobre essa montagem de "Uma noite em Tabariz":

O que você achou desta montagem de "Uma noite em Tabariz"? Como foi ver suas personagens de carne e osso?
Sávio - Este texto foi muito curtido durante a elaboração, especialmente pela beleza da partitura musical que é do Macléim. O grupo foi inteligente e honesto na montagem. A forma como os meninos conceberam o espetáculo foi bem mais inteligente do que o formato original; eles melhoraram. E digo isto com grande orgulho: são bem melhores do que eu. Foi um belo espetáculo: elegante, simples como deveria ser. Achei emocionante; mais uma vez o Macléim e eu temos a sorte de contar com um grande grupo teatral sustentando o que concebemos. Sou imensamente devedor ao Macléim e ao grupo. O Macléim tem sido a pessoa com quem tenho mais identidade na parceria musical: é impressionante a forma como ele escreve com o dó-re-mi, o que escrevo com abc. O grupo merece o meu maior respeito. Eu sou idoso; o prazer de ser escolhido por jovens, tira rugas e rusgas. A platéia estava linda; foi tudo encantador. Estreia sempre é uma noite de aprendizado. O grupo tem senso profissional e sempre crescerá. Espero que todos tenham entendido a tragédia da prostituição ou o "cansaço de anoitecer e amanhecer o dia". É pena que o Macléim estivesse adoentado e não visse o que eu vi.

O texto se trata de um musical. Esse fato e o próprio tema de "Uma noite em Tabariz" têm espaço no teatro alagoano e são bem assimilados pelo público alagoano?
Sávio - O espaço teatral é aberto e isto o torna extraordinário. Isto é a arte: uma busca de expressão de senso coletivo. Qualquer caminho, qualquer gênero, independendo de modismo, será sempre bem recebido pelo público. Senti tranquilamente o respeito da plateia pelo espetáculo, quando aplaudia em cena aberta e quando levantou sem qualquer alarde e aplaudiu aqueles jovens. Será sempre bem aceito, aquilo que é honesto.

Como foi o seu contato com a Cia do Chapéu até a estreia e o fato de ser um grupo novo, lhe criou algum outro tipo de expectativa?
Sávio - Não, criou não. O fato de ser novo, pareceu-me positivo desde o início. Infelizmente não acompanhei como costumo fazer e foi por não querer. Desejava ter a experiência do afastamento. Tive ideia do espetáculo, dois dias antes da estreia e foi gratificante. Conhecia a diretora, mais uns dois componentes, um dos quais havia sido aluno meu. Sabia que a Tácia era extremamente responsável também. Olhe, uma das coisas que retarda a senilidade, é acreditar nos jovens. Eu juro que mesmo se eu não gostasse do espetáculo, morreria defendendo o que o grupo tivesse feito. Era o direito dele pensar e elaborar. Na medida em que dei o meu consentimento - combinado, evidentemente, com o Macléim - deveria saber aguardar. O autor teatral deve saber que ele desaparece assim que termina seu texto. Note a distância entre uma página em branco, a cabeça do autor, a cabeça do diretor, do ator, do grupo e finalmente do espectador. O autor foi para as cucuias... Depois tudo vai para as cucuias, restando o momento magistral que é chamado de espetáculo. É nele que tudo se integra.

Qual foi o seu objetivo ou motivação em falar de um bordel tão famoso, do ponto de vista das "meninas" do velho Mossoró?
Sávio -
Pouco conheço da história do Tabariz. Lembro. Trabalhei naquela área, quando menino. Cheguei a entrar no Mossoró, a quem conheci pessoalmente. A maior coisa que o grupo conseguiu neste espetáculo foi manter a fidelidade ao espírito do texto e não transformou a ideia de zona em uma extensão do que poderia ser considerado como "glamour" malévolo da época, um dos prolongamentos do complexo ideológico do machismo. Apesar das situações engraçadas e caricatas, o grupo manteve durante todo o espetáculo, a dignidade do drama humano na prostituição, e o final do espetáculo dá o tom de respeito por aquelas vidas humilhadas e ofendidas. Na verdade, o final do espetáculo é um chamamento a todos para uma retificação do mundo. Afinal de contas, o mundo pode ser salvo de suas formas atuais. Temos futuro. A Tácia é quem fica com o que chamo de ária da Zefa Gemedeira e ela como atriz consegue lançar o que a música do Macléim e minha pobre letra desejam: que o anoitecer seja de paz.

Poucos sabem que apesar de ser a primeira montagem a ir ao palco, "Uma noite em Tabariz" teve uma outra montagem (em 2006), com o Embracanto, que não chegou a estrear...

Sávio - Eu tenho que agradecer e agradecer demais ao Embracanto. Nossa, como agradeço. Infelizmente, houve uma promessa não concretizada de recursos. É hora de agradecer a ele, ao Embracanto; quem sabe um dia seremos parceiros novamente. Resta meu beijo a todos os marmanjos e marmanjas do Coral e dizer: Obrigado. Abraçá-los mesmo e pedir ao Ivan (Barsand) que me faça sempre presente junto ao Coral. São pessoas extraordinárias e altamente capazes de realizarem um bom espetáculo também.

Como você avalia um projeto como esse, da DITEAL, "Quarta no Arena"?
Sávio - Acho bom, mas talvez fosse possível o estado ou município mobilizar alguma coisa mais. Não é que dinheiro faça obrigatoriamente um bom teatro, mas facilita em alguns aspectos. No fundo contudo, acho de extraordinária importância. Montar um dia para encontro semanalmente, além de dar oportunidade a diversas montagens, traz o encontro da cotidianização. Parabéns.



SERVIÇO
Projeto Quarta no Arena
Realização: Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (DITEAL)
Espetáculo: Uma Noite em Tabariz
Grupo: Cia. do Chapéu
Local: Teatro de Arena Sérgio Cardoso
Dia: 02 de setembro
Horário: 19:30h
Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (estudantes)
Classificação: 14 anos
Informações: (82) 3315-5665 / 5656
www.teatrodeodoro.al.gov.br



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