CORES (Para quem lê)

A minha vida toda eu dei cores aos momentos que passei. Por exemplo: meu nascimento, ta certo que eu não me lembro como foi, mas eu resolvi que ele foi azul.

Até os meus três anos, só lembro de algumas coisas que me vem em forma de “flash” e, esses “flashes” são todos amarelos; amarelo como o sol ao nascer. Dos quatro até os sete anos, tudo era muito verde, em todas as tonalidades, que me eram reveladas em uma variação do mais claro até o mais escuro. Quando eu tinha nove anos tudo começou a ser bege, até hoje eu não entendo porque bege, engraçado o bege, eu nem gosto de bege. Na minha adolescência existiram duas cores: o marrom e às vezes, em momentos que exigiam um apelo sexual, roxo. A minha juventude foi marcada pelo vermelho, vivo, intenso e vibrante. Como eu gostava daquele vermelho, como eu gostava daquele tempo, todas as coisas pareciam ser possíveis e com o menor esforço que eu fizesse, poderia ganhar o mundo. Mas as coisas mudam. Pena. E aquele vermelho ficava cada vez mais escuro, até chegar ao tom de vinho tinto, sangue coagulado e, eu já não era um adulto, cheio de preocupações, inconstante, abusado, obscuro. Sem que eu percebesse minha cor foi clareando, já não era mais vinho, meu cabelo já não era mais castanho. Hoje eu não tenho cor. Hoje eu sou branco; eu sou preto. Preto e branco. Minha vida perdeu o colorido. E eu perdi a vontade de colorir. Perdi a vontade de permanecer, de existir. Resolvi me apagar.

Morro por perder meu colorido, por não querer mais me colorir. Adeus a todos.

Fábio Silveira Góes.

29.07.1983

Ouvi dizer que o deprimido vê a vida em tons cinzentos...

De que cor é a sua vida???

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