sábado, 24 de setembro de 2011

Ensaio 23/09/11 - por Thiago Sampaio

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A Depressão vem de dentro ou de fora?

Esse tipo de classificação é bastante antiga mas, não obstante, é também bastante atraente. Falamos em Depressão Endógena, quando é devida a fatores constitucionais, internos, de origem biológica e/ou predisposição hereditária. Este tipo de Depressão tem uma causa fundamentalmente biológica e não existe relação palpável ou proporcional entre o momento depressivo e as eventuais vivências causadoras. Nela não se percebem causas externas ao sujeito.
Os pacientes com Depressão Endógena ou, mais modernamente, com Depressão Maior, biológica ou constitucional, tendem a se sentir melhor no período da tarde e sua doença costuma se relacionar com as mudanças de estação, havendo um aumento de sintomas na primavera e outono. Esses casos podem ser hereditários.

Por outro lado, a Depressão Exógena seria devida a fatores do ambiente, como por exemplo, o estresse, circunstâncias adversas, problemas profissionais, familiares, momentos de perda, de ruptura, etc, ou seja, trata-se de uma Depressão causada fundamentalmente por fatores ambientais externos.
A Depressão Exógena também se denomina Depressão Reativa, pois se produz como reação ou resposta a um evento traumático, como por exemplo, uma perda, um desengano, uma tensão ou outros acontecimentos incômodos.
Os fatores exógenos são inespecíficos, ou seja, não nos é possível associar um evento a um quadro depressivo, obrigatoriamente. Isso quer dizer que alguns acontecimentos podem ser depressores para algumas pessoas e não para outras. Existe uma ampla literatura sobre eventuais relações entre a tensão, a separação, a perda e outros acontecimentos vitais, com síndromes de Depressão Reativa. Na Depressão Endógena o paciente É deprimido e na Depressão Exógena ele ESTÁ deprimido.
Mesmo nos casos de Depressão Exógena, dificilmente poderíamos atribuir à doença uma responsabilidade exclusiva do ambiente, assim como não poderíamos considerar exclusivamente biológica ou genética a Depressão Endógenal. Portanto, diante desses aspectos, o mais correto seria dizer que a Depressão Exógena é predominantemente vivencial e a Depressão Endgena, predominantemente constitucional.
Realmente é difícil encontrar uma alteração física que não afete ao estado de ânimo e vice-versa, pois o estado de ânimo e o organismo físico costumam estar indissoluvelmente atrelados. E também podemos dizer que não seriam os fatores ambientais, propriamente ditos, os exclusivos responsáveis pela Depressão, senão, desencadeadores nas pessoas propensas à Depressão. As vivências ruins podem ser responsáveis pela tristeza, pela mágoa, frustração, etc. Depressão, entretanto, é diferente, é uma doença com critérios de diagnóstico precisos.
Depois de muita polêmica sobre as causas da Depressão, esse mal que assola impiedosamente boa parcela da população, parece que a maioria dos pesquisadores, e das mais diversas tendências ideológicas e científicas, finalmente fala num consenso; a Depressão teria uma origem bio-psico-social.
De fato, pela extensão do complexo termo - bio-psico-social - sobra pouco espaço para os polêmicos. Traduzindo, isso quer dizer que a Depressão teria uma origem tríplice; biológica, psicológica e, evidentemente, social.
Essa posição conciliatória satisfaz os pruridos dos pesquisadores mais organicistas, para os quais tudo o que sentimos não ultrapassa a esfera dos neurotransmissores e neuroreceptores, satisfaz também o discurso político dos antropólogos e sociólogos que consideram a doença de natureza sócio-cultural e, finalmente, agrada aos psicologistas, com o malabarismo intelectual que lhes é próprio, acerca dos complexos, traumas e frustrações.

domingo, 11 de setembro de 2011

TEMPO

Persistence of memory - Salvador Dali



O tempo vai se dilatando len-ta-meeeeeeeeeeeeeeeeeeeen-tee...
É surreal querer estar num outro ritmo e se ver derretendo
O corpo não obedece a mente. Ou a mente não obedece ao corpo?!
Você tem medo de que??? Qual a sua percepção de tempo?

O tempo tem passado tão rápido...
Ou eu tenho perdido tempo?!

A vida está passando
E eu, aqui parada
Observando-a caminhar para o abismo.
Ela está cada vez mais longe de mim.

Olhem as nuvens no céu!
Elas vão, devagar
e eu que nem saio do lugar...
Estática! Meu tempo parou ou correu demais...
Eu já nem sei! Já nem entendo nada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Noite de sinestesia abre a temporada de "Rojo" no Linda Mascarenhas


Coletivo Vermelho de Teatro apresenta montagem baseada nas dores e prazeres de Frida e Almodóvar

Diogo Braz

Se as emoções um dia foram tinta espalhada nas telas de Frida Kahlo ou as lentes e películas de Almodóvar, também são os tomates dilacerados no corpo das atrizes de Rojo, montagem cênica do Coletivo Vermelho de Teatro que está sendo encenada no Espaço Cultural Linda Mascarenhas aos sábados de setembro.
Fruto de um projeto de pesquisa de residência artística do NACE – Núcleo Transdisciplinar de Pesquisa em Artes Cênicas e Espetaculares da UFAL, Rojo foi criado e montado de forma colaborativa, ou seja: todos os participantes tiveram oportunidade de contribuir em todas as instâncias do espetáculo, da trilha sonora ao figurino, passando pelo texto à encenação. A montagem teve orientação da Professora Doutora Nara Salles e hoje parece caminhar com as próprias pernas, convidando o público para um mergulho profundo num universo baseado na vida e obra de Frida Kahlo, na estética cinematográfica de Pedro Almodóvar e nas teorias do teatro pós-dramático de Hans-Thies Lehmann.
A montagem

Ao contrário do que alguém possa pensar, o processo de montagem não foi simples. “Dois ex-alunos tinham o intuito de fazer mestrado na UFRN e chamaram a Profª Drª Nara Salles para fazer um grupo de estudo. Ela achou que a proposta casava com um projeto do PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) que ela tinha em andamento com uma outra aluna. Aí o que seria um solo acabou reunindo trinta pessoas. A gente foi pesquisando sobre a vida e obra dos artistas, assistimos a toda a filmografia de Almodóvar, estudamos o teatro pós-dramático, processo colaborativo e fizemos treinamentos físicos, pois o teatro pós-dramático é muito energético, exige muito do físico. Nós nos dividimos em núcleos e começamos a criar coletivamente o espetáculo. Todo esse processo durou cerca de um ano até a primeira apresentação”, explica a atriz Joelle Malta.
A atriz Charlene Sadd explica um pouco dessa metodologia colaborativa “A estética desse trabalho se constitui a partir de dois referenciais, pensando nas cores e efervescências, um pouco da loucura e destempero que Frida traz para suas pinturas e na ironia e humor picante do Almodóvar. Mas, como é uma obra colaborativa, cada um traz um pouco de si também e a partir daí a gente constrói as nossas ações. E o teatro contemporâneo quebra um pouco da parede entre o público, então a intenção é que eu tenho algo que eu quero compartilhar e se alguém do público me retribuiu, eu também posso responder a essa ‘moeda devolvida’. O público então é também um participante do espetáculo”, explica.
Depois de algumas mudanças nos integrantes da peça, Rojo hoje é: Lais Lira, Jonatha Albuquerque, Joelle Malta, Charlene Sadd, Thiago Souza, Patricia Vieira, Daniela Beny, Gemma Galgany e Mary Vaz no elenco; Karina May, Pâmela Guimarães e Laís Queiroz na técnica; e André Cavalcanti e Natalhinha Marinho na trilha sonora.
Sob a influência conceitual e estética das obras da pintora mexicana e do cineasta espanhol, Rojo é, além de tudo, uma experiência sensorial, onde todos os sentidos do espectador são estimulados.

Os sentidos

Audição: A intensidade com que os textos são falados pelos atores, às vezes sussurrados próximo do espectador, uma voz distante, em todas as direções do hall do Espaço Linda por entre o público proporciona uma experiência interessante aos ouvidos. A trilha sonora do espetáculo tem trechos executados ao vivo e efeitos sonoros que dão um ambiente intrigante à montagem. Para o músico André Cavalcanti, participar de Rojo foi inovador. “Para o músico que toca em banda, esse processo de teatro e música é bem diferente do sistema de banda. A gente vai seguindo as orientações e acaba colocando um pouco de si na produção também. Eu estou gostando desse sistema”, explica.
Paladar: durante o espetáculo, o público pode experimentar uma espécie de bebida inspirada no Gaspacho, prato típico da culinária ibérica à base de tomate. O sabor da iguaria é mais uma amostra da pluralidade da peça: gelado, picante, meio amargo e com leve teor alcoólico.
Olfato: o cheiro dos tomates, do perfume das atrizes que circulam quase todo tempo próximas à plateia também são elementos que constroem o universo de Rojo.
Tato: os atores interagem com o público, não há medo do contato físico. Já no início, na porta do Espaço, os próprios atores conduzem o público pela mão até seus assentos. Os espectadores também interagem com o cenário, podendo ficar com os pés dentro da água de uma piscina montada no centro do Hall do Linda Mascarenhas.
Visão: sem dúvidas é o sentido mais estimulado. Quase tudo em Rojo desperta a atenção dos olhos, desde a sensualidade dos figurinos e dos gestos, as projeções de imagens nas paredes, até a iluminação, que cria um ambiente atraente e sensual.
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é

A sensualidade, aliás, é um dos pontos chaves de Rojo, até mesmo em cenas em que as sensações de sufocamento ou incômodo físico das atrizes poderiam ser recebidas pelo público com certa repulsa, o contexto sensual da peça cria justamente o efeito oposto, atraindo a atenção e o olhar voyeur do espectador. A cena dos tomates, quando as atrizes explicam por que ser ou não uma mulher de Almodóvar, é talvez a mais sensual do teatro alagoano. Não se trata de uma sensualidade apelativa, mas sim de um elemento fundamental na vida e obra de Frida e Almodóvar, que é trabalhado com primor pelo Coletivo Vermelho de Teatro.
Como consta no release da montagem, “Rojo parte da ideia de que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias”, e a todo o momento o público é estimulado a perceber o universo desses dois artistas primeiramente pelas sensações. O jornalista Fernando Coelho define bem o espetáculo. “Eu gostei muito, eu acho que só em trazer esses dois universos estéticos e conceituais de Frida Kahlo e de Almodóvar, isso já é uma promessa de despertar grandes emoções. E o Rojo trabalha nessa dualidade da dor e do prazer, eu acho que quem está assistindo consegue entrar em reflexões e sensações sobre esses dois pólos”, explica.
As encenações conseguem realmente despertar as emoções a que se propõem: a dor, a paixão, o sofrimento, a neurose e a sensualidade presentes na vida de Frida e o humor, a ironia e o sarcasmo provocativo dos filmes de Almodóvar podem ser vistos encarnados nas atrizes e atores, que realmente dão um show de interpretação.
O público, limitado à média de 30 pessoas por apresentação, interagiu com o espetáculo e deixou o Espaço Linda Mascarenhas satisfeito. “Eu acho importante pra cidade ter uma movimentação nessa área cênica, com uma proposta estética mais contemporânea, antenada com linguagens que estão em evidência nesse campo da arte. Parabéns ao Rojo!”, elogiou o jornalista Fernando Coelho.
Com certeza, Rojo é um espetáculo do qual você não conseguirá sair imune, isento de opinião. A montagem tem forte potencial para deixar impressões marcantes no público. Em tempos em que o comum é criar peças que causem somente a agradável sensação de entretenimento, Rojo se apresenta como uma boa alternativa para exercitar a arte de sentir e pensar.
Não deixe de conferir, no próximo sábado, às 20 horas, no Espaço Linda Mascarenhas: Rojo, uma montagem do Coletivo Vermelho de Teatro baseada na vida e obra de Frida Kahlo e na filmografia de Pedro Almodóvar. Entrada: um tomate maduro.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Espetáculo “Rojo” volta em cartaz no Linda Mascarenhas

Foto: Larissa Fontes

Por Kaká Marinho

O Espaço Cultural Linda Mascarenhas será novamente palco de mais uma temporada do espetáculo “Rojo”, que tem direção de Jonatha de Albuquerque Vieira e Nara Salles. A peça entra em cartaz nos dias 3 e 10 de setembro, às 20h. A iniciativa é uma parceria do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), por meio do Projeto Linda de Teatro e do Núcleo Transdisciplinar de Artes Cênicas e Espetaculares (NACE), da UFAL.
“Rojo” é o resultado de uma investigação das obras de Frida Kahlo e da filmografia completa de Pedro Almodóvar. A idéia é mostrar que a compreensão do mundo através da arte acontece não só por meio de uma leitura visual, auditiva ou tátil, mas de sinestesias.
“A sensualidade e a sexualidade são temáticas recorrentes nas vidas e nas obras de Kahlo e Almodóvar, assim houve uma preocupação em como expor essas características na cena. O caminho que escolhemos foi trabalhar de maneira implícita e explícita, nos figurinos com a utilização de decotes, transparências, lingeries e o corpo nu na cena,” afirma Nara Salles, orientadora do NACE.
Na encenação, estão mesclados o teatro, a dança, a música, as artes visuais, e o cinema, com ênfase especial nestas duas últimas linguagens. Baseado no Teatro de Processo Colaborativo, é importante frisar que o público tem voz ativa no momento que desejarem. Os ingressos são limitados – apenas 30 estarão disponíveis – e, para adquirir, é necessário chegar mais cedo ao local. A entrada é um tomate maduro.

Apoio cultural:


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